CPC 20 Custos de Empréstimos
Conceito e regra principal
Custos de empréstimos são juros e outros
encargos ligados à obtenção de recursos. Aqueles diretamente atribuíveis à
aquisição, construção ou produção de um ativo qualificável devem ser
capitalizados, quando atendidos os requisitos da norma. Os demais são
reconhecidos como despesa do período.
Ativo qualificável é aquele que
necessariamente exige tempo substancial para ficar pronto para uso ou venda.
Exemplos: fábrica em construção, usina e certos estoques de longa maturação.
Uma máquina adquirida pronta para uso não é um ativo qualificável.
Quando capitalizar
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Etapa |
Tratamento |
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Início |
Exige,
simultaneamente, gastos com o ativo, custos de empréstimos e atividades
necessárias à preparação. |
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Suspensão |
Paralisações
extensas do desenvolvimento suspendem a capitalização. Trabalho técnico
relevante e atrasos necessários ao processo podem justificar sua
continuidade. |
|
Encerramento |
Cessa quando
substancialmente todas as atividades de preparação para uso ou venda
estiverem concluídas. |
Capitalizar significa incorporar ao custo
do ativo; não significa aumentar o capital social. A norma não estabelece uma
quantidade única de meses para definir tempo substancial.
Exemplos práticos do CPC 20
Exemplo 1 Construção de uma fábrica
A obra dura 12 meses e recebe financiamento
específico totalmente aplicado na construção. Os requisitos de capitalização
estão atendidos durante todo o período, sem paralisações ou receitas de
aplicações temporárias.
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Componente |
Valor |
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Materiais,
serviços e outros custos |
R$ 500.000 |
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Juros elegíveis
durante a construção |
R$ 40.000 |
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Custo total da
fábrica |
R$ 540.000 |
Registro dos juros incorridos e ainda não
pagos:
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Débito |
Crédito |
Valor |
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Imobilizado em
andamento |
Juros a pagar |
R$ 40.000 |
Quando a fábrica estiver disponível para
uso, o custo será transferido à conta definitiva do imobilizado. A depreciação
começa quando estiver disponível para uso, considerando vida útil e valor
residual.
Exemplo 2 Empréstimo para capital de giro
Uma empresa utiliza empréstimo para
despesas operacionais e incorre em R$ 2.000 de juros. Como não estão vinculados
à preparação de um ativo qualificável, os juros são despesa financeira.
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Débito |
Crédito |
Valor |
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Despesa
financeira com juros |
Juros a pagar |
R$ 2.000 |
Outros pontos importantes
Em empréstimos específicos, receitas de
aplicações temporárias desses recursos são deduzidas dos custos elegíveis. Em
empréstimos gerais, utiliza-se taxa de capitalização baseada na média ponderada
dos custos aplicáveis, respeitando o limite de custos de empréstimos incorridos
no período.
Notas explicativas: divulgar o total
capitalizado no período e a taxa de capitalização utilizada. Referência: CPC 20
(R1), itens 5, 8, 12, 14, 17, 20 a 22 e 26.
CPC 46 Mensuração do Valor Justo
Valor justo é o preço de saída: quanto
seria recebido pela venda de um ativo ou pago pela transferência de um passivo,
em transação não forçada entre participantes do mercado, na data da mensuração.
O CPC 46 explica como medir. Outro
pronunciamento determina quando usar valor justo e onde reconhecer o ajuste.
Portanto, a norma não autoriza atualizar livremente qualquer ativo, como
máquinas ou imóveis de uso próprio.
Técnicas de avaliação
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Abordagem |
Como funciona |
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Mercado |
Utiliza preços
e informações de transações com itens idênticos ou comparáveis. |
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Custo |
Considera o
custo atual de reposição da capacidade de serviço do ativo, com os ajustes
pertinentes. |
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Receita |
Converte
valores futuros em um valor atual, como no fluxo de caixa descontado. |
Hierarquia do valor justo
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Nível |
Informação utilizada |
Exemplo |
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1 |
Preço cotado
sem ajuste de item idêntico em mercado ativo. |
Ação com
cotação em bolsa. |
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2 |
Outros dados
observáveis, direta ou indiretamente. |
Título avaliado
com taxas de operações comparáveis. |
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3 |
Dados não
observáveis significativos para a avaliação. |
Empresa sem
cotação avaliada com projeções de caixa. |
A classificação da mensuração inteira segue
o dado de menor nível que seja significativo. Um dado não observável relevante
pode levar toda a avaliação ao Nível 3, mesmo quando existem outros dados
observáveis.
Valor presente não implica automaticamente
Nível 3: a classificação depende dos dados utilizados. Nível 3 não significa
erro nem risco alto automaticamente; suas premissas precisam ser fundamentadas
e refletir participantes do mercado.
Custos de transação, como comissões, não
são deduzidos do valor justo. Custos de transporte podem exigir ajuste quando a
localização for característica do ativo. Referência: CPC 46, itens 9, 24 a 26,
61 a 73 e 76 a 90.
Exemplos práticos do CPC 46
Exemplo 3 Ações classificadas no Nível 1
Uma empresa possui 1.000 ações registradas
por R$ 20.000. No encerramento, a cotação em mercado ativo é de R$ 23 por ação.
Para o exemplo, o investimento é mensurado ao valor justo por meio do
resultado, conforme o CPC 48.
Valor justo = 1.000 × R$ 23 = R$ 23.000.
Ajuste positivo = R$ 23.000 − R$ 20.000 = R$ 3.000.
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Débito |
Crédito |
Valor |
|
Ativo
financeiro — ações |
Ganho com
avaliação a valor justo |
R$ 3.000 |
Exemplo 4 Valor presente com dados de Nível 3
Um investimento prevê um único recebimento
de R$ 121.000 em dois anos. A taxa adequada ao risco é de 10% ao ano. Admita
que o modelo reflita as premissas dos participantes do mercado e que suas
estimativas não observáveis sejam significativas.
Valor presente = R$ 121.000 ÷ (1,10)² = R$
100.000.
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Valor registrado antes da avaliação |
Valor justo estimado |
Ajuste |
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R$ 100.000 |
R$ 100.000 |
Zero |
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R$ 95.000 |
R$ 100.000 |
Positivo de R$
5.000 |
Ajuste zero significa ausência de diferença
a registrar; o ativo continua valendo R$ 100.000. A mensuração permanece no
Nível 3 por causa dos dados utilizados. O destino de eventual ajuste depende da
norma e da classificação do investimento.
Nas notas explicativas, evidenciam-se
técnicas e dados utilizados. Para o Nível 3, há exigências adicionais, conforme
o caso, como dados quantitativos significativos, conciliação de saldos e
informações de sensibilidade. Referência: CPC 46, itens 91 a 99.
Comparação para memorizar
CPC 20: os juros integram o custo do ativo
ou são despesa? CPC 46: qual é o valor justo e quais dados sustentam a
avaliação? O ajuste a valor presente do CPC 12 não é, por si só, mensuração ao
valor justo.
Fontes para consulta
Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC 20
(R1) — Custos de Empréstimos.
https://www.cpc.org.br/Arquivos/Documentos/281_CPC20_R1.pdf
Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC 46
— Mensuração do Valor Justo.
https://www.cpc.org.br/Arquivos/Documentos/395_CPC_46_rev%2012.pdf


